Experiência em primeiros socorros compartilhada
Compartilhar:
Foto: Jamile Chequer/CICV
Representantes das SNs e CICV participam do Primeiro Encontro Regional em Primeiros Socorros em contexto de Violência Urbana, no Rio de Janeiro

Representantes das Sociedades Nacionais (SNs) da Cruz Vermelha da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Guatemala, México e Noruega e de Delegações do CICV da América Latina e da sede estiveram reunidos, entre os dias 27 e 29 de março, no Rio de Janeiro, para o Primeiro Encontro Regional de Primeiros Socorros em Contextos de Violência Urbana, com o objetivo de partilhar experiências, desafios enfrentados e lições aprendidas nesses países.

Embora cada contexto seja único, o encontro ajudou a identificar certos padrões pelos quais as SNs e CICV se orientam e constróem respostas humanitárias. As situações mostram a diversidade de atuação que abrange desde respostas às possíveis consequências resultantes de protestos urbanos até a formação de equipes comunitárias de emergência com foco nos primeiros socorros e a coordenação com os serviços públicos de saúde.

"Constatamos que em alguns países como Argentina, Chile e Brasil, a abordagem comunitária está muito presente. Outros países, como o México, têm uma abordagem na qual prevalece a assitência por ambulância e hospitalar, incluindo cirurgia", avaliou o coordenador de Saúde do CICV no Rio e um dos organizadores do encontro, dr. Hervé Le Guillouzic. "É muito interessante partilhar esses diferentes pontos de vista e construir um caminho juntos focado no objetivo mais importante que é proteger e socorrer a vítima", completou.

A coordenadora do projeto Violência Urbana da Cruz Vermelha Colombiana, Maria Inês Cardona definiu o encontro como "importante para a construção de conhecimento coletivo" e relatou que em Medellín, por exemplo, como em outras cidades, em algumas áreas afetadas pela violência, há problemas de "fronteiras invisíveis" que impedem o livre trânsito de moradores e há também casos de deslocamentos forçados.

Os primeiros socorros foram a primeira ação do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e se traduzem em gesto humanitário importante que ajuda a aliviar o sofrimento e a salvar vidas. Nesse sentido, como resultado do encontro foram acordadas recomendações para reforçar essa resposta humanitária. O objetivo é ampliar o acesso e a efetividade do apoio à vítima e diminuir alguns problemas encontrados por residentes de comunidades urbanas em situação de violência que têm difícil acesso aos serviços de emergência, como Unidadades de Pronto Atendimento (UPA) ou hospitais.

Os programas de Primeiros Socorros, parceria entre as SNs da Cruz Vermelha e o CICV, identificaram a importância de mobilizar os voluntários nas comunidades para que participem nas emergências e se tornem multiplicadores de conhecimento. Além disso, destacam a relevância de promover a articulação de uma cadeia de evacuação de feridos – do local do acidente até o hospital –, uma vez que em algumas comunidades o acesso ao serviço de emergência, como de ambulâncias, pode ser prejudicado, por exemplo, em decorrência da geografia do terreno ou devido à violência urbana.

No Rio de Janeiro, 590 moradores de comunidades já foram capacitados em Primeiros Socorros básicos e 141 instrutores em Primeiros Socorros foram formados pelo CICV e a CVB. A maior parte desses voluntários aplicou seus conhecimentos em suas comunidades. A mobilização para a articulação da cadeia de evacuação está em curso nas comunidades Complexo da Maré, Parada de Lucas, Vigário Geral e Vila Vintém.

Você está visualizando
Boletim 2
Março e abril de 2012
Editoria: Comunidades urbanas
Receba nosso boletim
Caso deseje receber nosso boletim via e-mail, cadastre-se

O CICV nas Redes Sociais: